Encontro


Já era tarde da noite, as luzes da cidade já estavam pela metade,  mais não liguei para isso, só precisava de um tempo sozinha, ouvir meus pensamentos um pouco. Era agosto e vento  batia em minha pele como facas, voltei para dentro de casa e coloquei um casaco.

Sai sem rumo, vagando por desvaneios, andava meio irritada com o mundo, tanta futilidade, tanta falsidade, aquilo tudo me deixava enojada. Tinha acabado de brigar com alguns colegas de quarto da faculdade, o egocentrismo deles me deixava pasma.

Senti uma arrepio na pele, o coração disparou, tinha alguém me perseguindo, o que eu ia fazer? Cada passo que eu escutava aumentava meu batimento, eu aumentei o ritmo do meu caminhar,  e quando me dei conta já estava correndo, a unica coisa que me lembro depois disso é de estar deitada em uma cama com alguém me observando.

Levantei assustada, nada havia acontecido, pelo menos não comigo, eu tinha apenas uma dor de cabeça terrível, a única coisa que escutei foi :

-Fique calma, estou fazendo um chá pra você, com o tombo que levou deve estar com a cabeça a ponto de explodir, não deveria andar sozinha pela rua uma hora dessas, mais acho que depois de hoje aprendeu a lição.

Levantei a cabeça por um instante, e vi alguém de costas, um homem, não o reconheci, estava a ver estrelas de tanta dor.

– Afinal de contas quem é você? E como vim parar aqui? – Perguntei.

– Não se lembra? Um louco te atacou na rua, te derrubou no chão você bateu a cabeça, prefiro não pensar no que teria acontecido se eu não tivesse chegado. Não sei porque vocês garotas acham que podem andar na rua sozinhas nessa cidade, tudo bem serem independentes, mais querer se suicidar é outra coisa.

– Eu só precisava pensar um pouco, achei que não aconteceria nada demais, muito obrigada por… bem… me salvar.

– Não foi nada , você deu sorte de eu estar passando por ali, não conte sempre com isso,  a sorte não ó tipo de coisa que fica do nosso lado 24 horas por dia.

Nesse momento ele se virou, o rosto me lembrava alguém, só não consegui saber exatamente quem, não era o que a sociedade chamaria de bonito, mais de alguma maneira me encantou, o modo como cuidou de mim me fascinou de um modo inesperado.

Seus olhos  eram azuis, o que não ajudava em nada na harmonia de seus traços,não tinha cabelos, e o olhar era instigante, triste mais feliz em ajudar, se alguém nos visse naquele momento certamente acharia a cena desproporcional, mais isso pouco me importava.

Ele tinha braços fortes, e isso explicava como fui parar ali, olhei em volta , a casa era grande mais possuia poucos móveis, nenhum espelho a vista. Ele se sentou ao meu lado  e me serviu um chá de camomila, colocou a mão sobre minha testa:

– Nossa isso ta feio, vou fazer um curativo.

Só consegui fazer um sinal afirmativo com a cabeça. Eu estava com medo, mais alguma coisa me trazia uma sensação de segurança, logo ele voltou e fez um curativo em meu ferimento, algo em seu olhar me prendia, tive medo de que ele não gostasse, mais ainda assim não consegui desviar o olhar.

Continua…

– Esta assustada? Achou que eu fosse algum principe encantado?

– Não,  é só que esse olhar, eu tenho a impressão que te conheço de algum lugar.

– Duvido muito,  acho que se lembraria, afinal sou bem diferente  da maioria.

– Não estou falando de aparencia , estou falando de olhar – Ele sorriu pra mim- Esta vendo é disso que estou falando, esse sorriso é muito familiar.

– Deixa disso, ninguém nota sorrisos, ou olhares.

– Eu noto, e eu tenho certeza que já te vi.

– Cara, vocês mulheres tem cada coisa.

– Já sei, esse “cara”, o garoto do terceiro ano de publicidade que parou de ir no semestre passado, … , não lembro seu nome.

– Você diz que me conhece pelo olhar e não lembra meu nome?

– Eu disse que eu era diferente?Não? Então vou dizer agora, olha eu sei que é estranho, mais não costumo me preocupar com nomes, mais com o olhar o sorriso, o lado bom das pessoas. E não espero que entenda isso, faz ,muito tempo que parei de me preocupar com o que os outros pensam.

Por alguns momentos um silencio desafiador se instalou entre nós, ele me olhava com um toque de espanto, e não era para menos, não parei de observá-lo um spo instatente da hora em que acordei. Terminei o chá, e entreguei a xícara a ele.

– Deveria dormir, acho que o tombo deixou suas idéias um pouco enevoadas.

– Esta dizendo que tive uma aminésia, ou algum tipo de acesso de loucura? Esquece apesar de estar com a cabeça a ponto de explodir, posso te garantir que sei quem você é, pode estar diferente por fora, mais o seu olhar ainda é o mesmo, e não ache que vai esconder isso de mim por muito tempo.

– É melhor dormir amanha nos falamos, tenho certeza qu vai estar pensando mais claramente depois de uma boa noite de sono, vou me deitar aqui na sala, se precisar é só gritar.

– Ok, e obrigada de novo.

continua..

Ps: Tenho que terminar de editar

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Esta publicação foi escrita por jessyguson e publicada em 20 de maio de 2011 às 2:15. Está arquivada em Sem categoria. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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